A preview in Portuguese of The Nationalists.

OS NACIONALISTAS

Por

Liam Robert Mullen

Copyright 2016, Liam Robert Mullen

Copyright 2017 desta edição:

Amazon Editora

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CAPÍTULO I

Renda-se!

O comando estava suspenso no ar como uma arma, destilando veneno. Pensar, simplesmente, podia ser fatal. Dias de luta estavam reduzidos a isso.

Tony McAnthony olhava os rostos estilhaçados em torno dele. Podia reconhecer neles o orgulho e a coragem, mas também a frustração. E também podia reconhecer o gosto amargo da decepção. Alguns militantes, porém, permaneciam intactos. Eles dariam suas vidas em prol de uma Irlanda livre.

Estilhaços de vidro, cadeiras quebradas e destroços estavam por toda a parte, alguns dos quais tinham sido usados em barricadas de madeira rústica e pontos de tiro estratégicos. E postais, selos, cupons de vale-refeição, cartões de racionamento espalhavam-se pelo chão de mármore.

Dias antes, McAnthony assistira, do topo do prédio dos correios – o GPO –, os diversos líderes da Revolta anunciar a Proclamação para o mundo. O Rádio ainda estava engatinhando, mas esperava-se que a declaração alcançasse os ouvidos de quem realmente importava na América.

McAnthony meditava sobre o próprio destino. Será que os britânicos acreditariam que ele não era um militante? Afinal, desobedecera a seu editor no Times – Conor Sweeney –, um homem bom, porém um homem de visão limitada. Sweeney tinha a tendência de adotar o ponto de vista britânico, além de encarar os grupos rebeldes de forma preconceituosa e, naturalmente, parcial, o que, provavelmente, vinha de seu passado protestante, Tony não tinha certeza.

Ele sabia que tinha sorte em estar vivo. Desta vez, a Revolta tinha sido impactante em Dublin, diferentemente da que ocorreu em 1798, quando Wexford e demais regiões do Norte aderiram ao movimento, exceto Dublin. Agora era diferente. Pontos cruciais da cidade tinham sido tomados: a fábrica de biscoitos Jacob’s; Clanwilliam House, que deu nome à rua Northumberland; o prédio da Boland’s Mill; o South Dublin Union; o Stephen’s Green; e o Castelo de Dublin. Até o GPO tinha sido tomado no começo da semana.

Wexford mais uma vez aderiu ao movimento, e em Enniscorthy os rebeldes resistiam mais ainda do que seus companheiros dublinenses.  

Os britânicos tinham sido pegos de surpresa. Muitos de seus funcionários estavam fora, nas corridas, em Fairyhouse. Além do mais, com muita gente em clima de feriado para a Páscoa, ninguém esperava uma revolta.

Era a hora perfeita para o ataque!

Os sinais já estavam no ar há muito tempo. Manobras militares em torno do Castelo. Homens e mulheres irlandeses em marcha, visivelmente armados – os soldados do Castelo não tentaram desarmá-los, temendo um derramamento de sangue, porém planejavam detê-los em breve.

Mas eles esperaram demais. Numa reunião secreta da Irmandade Republicana Irlandesa, a Revolta tinha sido planejada com tal discrição que mesmo Eoin MacNeill – o comandante dos Voluntários Irlandeses – fora pego desprevenido. Os Voluntários contavam uma base de 13000 membros, dos quais 3000 eram dublinenses, e destes, 200 eram do Exército Civil.

Roger Casement fora enviado para uma missão secreta na Alemanha, a fim de garantir armamentos para a Revolta. Porém, houve uma série de contratempos: Casement foi preso na viagem de volta e o Aud, navio norueguês que transportava os armamentos, afundou.

Sabendo disso, MacNeill, no Domingo de Páscoa, publicou uma nota, no Irish Independent, proibindo qualquer movimentação dos Voluntários Irlandeses. No entanto, o movimento por trás da Revolta era invencível. Ainda que adiadas por um dia, as ordens para a Revolta continuariam valendo na segunda de Páscoa.  E embora a confusão reinasse em algumas partes do país, a nota de MacNeill levou os britânicos a pensar que não havia necessidade de conter os Voluntários armados.

Os britânicos não podiam se precipitar onde os anjos temiam pisar. Eles precisavam evitar, junto com a guerra violenta na Europa, a separação tanto dos nacionalistas quanto dos unionistas do Norte, que se voluntariavam para o serviço militar no exterior. Recrutamento era palavra recorrente na agenda política, e também era um tema que esquentava o debate no Norte e no Sul do país.

McAnthony entrou em contato com os rebeldes quando estes se reuniam naquela manhã ensolarada de segunda no Liberty Hall. Ouvira rumores no escritório, o que fez com que ele saísse depressa do prédio e partisse correndo do cais em direção ao Liberty. Ele falou com um senhor de Cork, que o inquiriu:

— Quer se juntar a nós, por quê?

— Sou jornalista.

— Que trabalha para…?

— Irish Times.

— Ah, aquele jornaleco unionista. – Havia um desprezo evidente na fala de Michael Collins, e que se insinuava nos seus olhos castanhos. Sorriu de soslaio. Ele ia dizer não.

Tony, porém, sabia ser convincente e persuasivo quando queria. E resolveu escancarar.

— Você está certo. — admitiu. — Lá tem uma tendência bem unionista mesmo. Mas isso um dia pode mudar. Vocês precisam de jornais a seu favor. E eu quero escrever para vocês. Este é o meu trabalho!

— Não vai ser um mar de rosas. — Collins advertiu. E parou para pensar, franzindo os lábios. — Seu trabalho pode te pegar de saias. — continuou. Ele tinha o sotaque das bandas do Oeste de Cork. O clonakiltês estava vivo na sua fala.

— E tem mais: eu sou irlandês. — acrescentou Tony, mostrando os dentes num sorriso. Collins gostou disso. Ele podia reprovar o homem quanto a sua insistência. Mas concluiu que, apesar disso, ele era ousado. Reconheceu um companheiro naquele espírito. E depois, não devia haver mal algum em ter um jornalista do Irish Times do seu lado. Ele respondeu, de volta, com o mesmo sorriso.

— Está bem. — assentiu. — Junte-se aos outros.

A marcha para o GPO tinha começado há poucos minutos. Homens da Polícia Metropolitana de Dublin acenavam para a marcha com um sorriso contido, sabendo que aquilo não era apenas um mero desfile, e transeuntes zombavam e vaiavam os integrantes da marcha.

Os Voluntários, enfim, tomaram o prédio com facilidade. Funcionários e demais pessoas foram obrigados a evacuar. Onde houvesse resistência, as armas respondiam. Ordens eram dadas. Enquanto homens eram despachados para o terraço e demais pisos, e outros posicionados nas janelas, os canos dos fuzis esmagavam os estilhaços de vidro no chão. E portas viravam trincheiras.

Diante do prédio, estava Padraig Pearse, porta-voz da Proclamação. Pearse era um homem sério, que se tornara mais conhecido depois de seu brilhante discurso no enterro de O’Donovan Rossa. Com sua voz clara e precisa, entoou as palavras da Proclamação. As pessoas pararam para ouvir; não apenas aquelas que estavam na rua Sackville, mas o mundo todo. As palavras de Pearse soaram:

“NÓS DECLARAMOS O DIREITO SUPREMO E INALIENÁVEL DO POVO IRLANDÊS À PROPRIEDADE DA IRLANDA E AO CONTROLE IRRESTRITO DOS DESTINOS DA IRLANDA. TODAS AS GERAÇÕES DO POVO IRLANDÊS DECLARAM SEU DIREITO À LIBERDADE E À SOBERANIA NACIONAL; SEIS VEZES DECLARADAS COM AS ARMAS DURANTE OS ÚLTIMOS 300 ANOS.”

McAnthony escrevia à mão, energicamente.

“A REPÚBLICA DA IRLANDA PROCLAMA, E PRESENTEMENTE REIVINDICA, A ALIANÇA ENTRE CADA HOMEM E CADA MULHER DA IRLANDA. A REPÚBLICA DA IRLANDA GARANTE AS LIBERDADES CIVIL E RELIGIOSA, DIREITOS IGUAIS E IGUALDADE DE OPORTUNIDADE PARA TODOS OS CIDADÃOS, E DECLARA SUA RESOLUÇÃO DE PROMOVER A FELICIDADE E A PROSPERIDADE DE TODA A NAÇÃO E DE TODAS AS SUAS PARTES, CUIDANDO DE TODAS AS CRIANÇAS DA NAÇÃO IGUALITARIAMENTE, E A DISSOLUÇÃO DE TODAS AS DIFERENÇAS SISTEMATICAMENTE FOMENTADAS POR UM GOVERNO ESTRANGEIRO QUE SEPAROU UMA MINORIA DE UMA MAIORIA NO PASSADO.”

    Pearse retornou para dentro do prédio do GPO, de cabeça erguida, sob os aplausos de seus homens. McAnthony o seguia, impressionado. Ele era um líder de personalidade marcante; usava um excêntrico chapéu australiano e uma Browning automática 7.65mm.

    Esses homens estavam apenas proclamando a independência do próprio país. Eles reconheciam a importância daquele momento. McAnthony fora aluno no Trinity College; estudou Cultura e História da Irlanda durante a graduação. Sabia bem o significado que tinham momentos como esse. Em toda a história do país, ninguém jamais tinha feito tal declaração. Era inédito. De repente, sentiu-se grato por Michael Collins ter lhe dado a oportunidade de participar daquele acontecimento histórico.

    Uma cópia da Proclamação foi, então, afixada nas proximidades do Pilar de Nelson, monumento erguido como símbolo do domínio britânico que ficava logo acima da rua Sackville. Atrás do pilar, encontravam-se dois cavalos sem vida pertencentes ao departamento de lanceiros que foram capturados numa manifestação e dos quais quatro foram mortos à bala.

    Havia qualquer coisa de irreal na atmosfera daquela primeira noite: ruas e estradas vazias, e cidadãos dublinenses contemplando, estáticos, A Tricolor.

    Rumores se ouvia em toda a parte:  O PAÍS ESTÁ PRONTO. OS ALEMÃES JÁ CHEGARAM NO SUL.

    Mas não demorou muito para os britânicos se reestabelecerem. Em poucos dias, tomaram suas posições. Um barco, no Liffey – o Helga – começou a bombardear a cidade. Soldados treinados disparavam e metralhadoras atingiam o lado dos rebeldes. McAnthony sabia que Collins estava ciente dos riscos quando ele mesmo quase fora atingido por um bombardeamento na noite de quarta.   

    Os dois membros dos Voluntários que ele rejeitara não tiveram tanta sorte. Ambos foram completamente eliminados. Collins atravessou às pressas o salão, procurando por sinais vitais nos três homens que ali estavam.

Apenas McAnthony tinha escapado praticamente ileso. Tinha ferimentos nas costas e nos ombros, mas estava vivo. Foi aí que conheceu Angela, quando ela se aproximou para tratar de seus ferimentos. Ela vestia um longo jaleco dos Voluntários sobre um vestido também longo, com uma cruz vermelha desenhada atravessando o aparente busto firme.

    Apesar da dor, ele estava impressionado. Era facilmente surpreendido por mulheres que se envolviam na luta pela liberdade da Irlanda. Elas faziam todo tipo de tarefas arriscadas: não raro durante os ataques, tratavam os feridos e faziam circular as mensagens entre diferentes postos de comando pela cidade. Elas também, junto com os companheiros, eram a força com que se pode contar.  

    Os ferimentos de McAnthony se concentravam nos ombros e nas costas. Angela tirou um pedaço da camisa dele, com o qual, habilmente, conseguiu estancar boa parte do sangue. Ela sabia, só de olhar para ele, que seria necessária uma cirurgia, mas naquele momento ela ia tratar os ferimentos o melhor que pudesse. Se ao menos conseguisse estancar todo o sangue…

    Michael Collins se aproximou.

    — Como está o rapaz?

    — Gravemente ferido. — ela respondeu. — Precisa ir para o hospital.

    Ele assentiu com a cabeça energicamente.

    — Vou falar com Pearse, ver se ele pode conseguir uma trégua… mas não tenho muita esperança.

    — Faça o que você puder! — exclamou.  

    Angela continuou a tratar os ferimentos de McAnthony, enquanto Collins partia às pressas em retirada.

    — Então, qual é a sua história? — perguntou, enquanto trabalhava. — Como foi se meter nesta confusão?

    — Sou jornalista — explicou ele, com os dentes cerrados.

    — Ah! E para quem você trabalha?

    — Irish Times.

    — Nossa! — disse, olhando para ele com novos olhos – com aqueles incríveis olhos azuis que ela tinha. — Vai escrever sobre a Revolta?

    — É para isso que eu vim.

   

   

   

   

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Exile – Now published.

Exile continues the story of The Nationalists as Tony McAnthony, the journalist, settles into his new life in America and the timeline advances through the roaring twenties, the thirties, the war years, and the Kennedy years in the sixties and seventies.

Many of the characters that appeared in The Nationalists will also play a role in this new work, in particular, that of Pairic O’Toole who left soldiering behind to become a Franciscan and who finds himself incarcerated in Auschwitz during the war years. New characters are also introduced like Big Emily, a teacher in the US with a new vision for education but who finds herself thwarted by the effects of the Depression.

Exile is a story about the Irish people, but not exclusively so, and paves the way for the third book in this trilogy: The Irish Diaspora. Free for five days from September 1st 2017 – Free book promotion.

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Exile 

Exile – the sequel to The Nationalists has been published to Amazon.

Exile continues the story of The Nationalists as Tony McAnthony, the journalist, settles into his new life in America and the timeline advances through the roaring twenties, the thirties, the war years, and the Kennedy years in the sixties and seventies.

Many of the characters that appeared in The Nationalists will also play a role in this new work, in particular, that of Pairic O’Toole who left soldiering behind to become a Franciscan and who finds himself incarcerated in Auschwitz during the war years. New characters are also introduced like Big Emily, a teacher in the US with a new vision for education but who finds herself thwarted by the effects of the Depression.

Exile is a story about the Irish people, but not exclusively so, and paves the way for the third book in this trilogy: The Irish Diaspora.Exil


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